Filed under: Good grief... =[, Oi? | Tags: Alguém pode me ajudar?, Charlie Brown, Gente estranha tem em todo Lugar, Maluco? Eu?, Quero ser John MacClane, Só acontece comigo
Mudanças repentinas de humor… Sorrisos que, em uma mutação assustadoramente rápida, transformam-se em mordidas e tons de voz que variam entre os chamados de amor de uma ninfa e o ranger de dentes do próprio inferno. Reconhece o cenário? Se você é humano e tem algum tipo de relacionamento social com outro ser da mesma espécie, muito provavelmente você sabe do que estou falando.
Agora… se o ser com quem você se relaciona, além de humano, for uma mulher… Bom…
Nesse caso há um agravante… Buscando a origem da palavra “mulher”, descobri que o termo vem do latim mulier, que significa : Fuja para as montanhas. Material altamente explosivo.
Não. Não estou exagerando. Nos últimos dias, sempre que me aproximo de alguém que não coce o saco, arrote, fale palavrões – e seja capaz de falar estes mesmos palavrões arrotando – tento memorizar rapidamente a área para buscar a saída mais próxima ao menor sinal de fumaça ou golpes que incluam mãos, pés e bolsas.
Esta estratégia – que eu apelidei de método de evasão John McClane – deve-se a insistência de diálogos insólitos como os que venho tendo ultimamente. Como é possível uma sentença começar com Charlie, você é tão maravilhoso e terminar com um Charlie, por que você não me dá atenção?, um Charlie, definitivamente você não me entende ou ainda um Nossa Charlie, você é chato pra caralho.
É sério. Incoerências como essa me fazem crer na existência de uma espécie de rito de passagem em que as meninas são levadas para uma salinha, onde recebem um manual chamado “Inconstância – Como enlouquecer um cara”. Essa é a única explicação.
Eu acho inclusive que, quando dizem “meu sexto sentido” ou “intuição feminina” elas estão usando códigos e citações deste maldito manual.
Paranoia da minha parte? Pode até ser… Mas eu tenho o método de evasão John MacClane… e você?
Filed under: Coisas de Peanuts | Tags: amigos, Charlie Brown, Conversando com os Botões, Gente estranha tem em todo Lugar, Maluco? Eu?, Não tenho um grilo falante, Quem foi o idiota que inventou isso?
Botões,
Sei que vocês já sabem o que vem pela frente. Eu os avisei em alto e bom som (para espanto da senhora que dividia o assento do metrô comigo), quando vocês me fizeram voltar àquela bendita página pela terceira vez. Não se trata mais de uma simples reclamação. Quero que prestem atenção, porque isso é muito sério.
Há quanto tempo converso com vocês? Quantas vezes achei graça das bobagens que me diziam – mesmo quando as pessoas me olhavam torto, imaginando que eu falava sozinho? Pois é… Muito tempo e muitas vezes, né? Será que não foi o suficiente para que vocês entendam que as coisas têm hora e lugar pra acontecer?
Quando estou contando, por exemplo (Como assim contando o quê, botões? Qualquer coisa, pô!! Abdominais, figurinhas da Copa, paralelepípedos, listras de uma zebra, whatever), vocês não podem simplesmente me interromper para me lembrar do trecho de uma música, do diálogo de um filme, ou de um palavrão que eu deveria ter dito para aquele idiota que me irritou – por mais que o palavrão fosse merecido e que a música fosse legal pra caramba.
Também não é legal quando vocês acham de invadir minha cabeça com uma série de informações, justamente quando estou no meio de uma frase. Vocês sabem como aquela cara de “Nossa. Esqueci o que eu estava dizendo…” fica péssima em mim, então por que insistem nisso?
Ah! Mais uma coisa: Reconheço que vocês já me deram ideias ótimas, mas, por favor… Se eu estiver em pleno block textual, peço que só me digam coisas que realmente possam me ajudar (Não! Os planos: O que fazer com a bolada da mega não são temas universais).
Bom. Acho que esclarecemos tudo. Peço, então, que pensem com carinho nas coisas que eu disse porque… você sabe… No final das contas sempre se pode apelar para um zíper, ou um Grilo Falante…
Atenciosamente
Charlie
Filed under: Acontece, né?, Charlie Brown, Coisas de Peanuts, Good grief... =[ | Tags: amigos, Charlie Brown, Gente estranha tem em todo Lugar, Personagens, Só acontece comigo
Ela: Engraçada, linda, sensual , sensível, companheira, esperta, amiga, brava – de um jeito bonitinho (quer dizer… nem sempre) – solícita, prestativa, com esforçados dotes culinários (poxa… ela tá indo mó bem), forte e ao mesmo tempo delicada. De choro fácil e de abraço sincero, tem sido um exemplo pra mim…
Eu: Desastrado, canastrão, reclamão, preguiçoso, bravo, desatento (eu já disse “desastrado”?), careca, desconfiado e ciumento. Não tenho aquele radar para “horas impróprias para piadas” , tenho amigos muito parecidos comigo (com exceção da cabeça raspada), uma memória de merda (eu já disse “desastrado”?), uma profissão que paga muito pouco e, apesar disso tudo, continuo insistindo e fazendo as mesmas coisas.
Sério… Não sei o que ela viu em mim… Ou melhor como foi que ela não viu tudo isso??
Talvez seja míope… Talvez seja excêntrica … Talvez seja só uma moça diferente
Uffa… ainda bem que ninguém é perfeito…
Filed under: Acontece, né?, Good grief... =[, Tinha que ser eu | Tags: Charlie Brown, Charlie Enxaqueca, Gente estranha tem em todo Lugar, Local onde Cães Dormem em Telhados, Só acontece comigo
Percebi que sou um cara paranoico.
(Vai lá… Podem assumir… Sei que vocês todos devem saber disso há tempos… Imagino até que cochichavam pelas minhas costas dizendo: “olha lá… o careca paranoico”…)
Resisti um pouco… Não vi os sinais, mas a partir de minhas experiências recentes no transporte público paulistano, atinei para esta minha condição.
Vou do início. Para quem utiliza o metrô paulistano, alguns espécimes são bem comuns: Existem aqueles que fingem dormir para não ceder o lugar para idosos, gestantes e pessoas com deficiências de locomoção; há os que realmente dormem; existem também aqueles que utilizam seus celulares para compartilhar seu excepcional gosto musical com as outras 2.183 pessoas – margem de erro de 2% para mais ou para menos – com quem divide o vagão (já ouviu algum celular desse tocando Mozart? Eu também não), há também os que fixam o olhar no horizonte que corre lá fora; mas hoje, sobretudo, há os que leem.
Pelo que percebi nos últimos meses, Crepúsculo e seus congêneres ainda reinam soberanos. Em seguida, além dos jornais gratuitos, estão Harry Potter e a coleção que aglutinei mentalmente na categoria “nenfodendo” (autoajuda/ Paulo Coelho/Zíbia Gasparetto e afins).
Como integrante fixo do grupo leitor, adquiri a habilidade du soleil do equilíbrio-sem-as-mãos, bíceps trabalhados (cara… livros com mais de 500 páginas, por mais de 12 estações, além do busão, é exercício para bárbaros) e, como bônus, a entrada para o universo paralelo que me impede de ficar emputecido por não ter carta e um carro.
Mas foi exatamente a partir de um destes passeios por outra dimensão que me percebi em perigo. Depois de devorar a coleção sobre a Ditadura, de Élio Gaspari, intervalada com alguns títulos como Ministério do Silêncio, de Lucas Figueiredo e outros, dos quais agora não irei lembrar, decidi acertar as contas com o passado e, finalmente, li Rota 66, de Caco Barcelos.
Porra! Nem eu mesmo conseguia compreender direito.
De maneira geral, comecei a temer que agentes secretos, a serviço da Ditadura Militar e com o apoio de policiais homicidas em Veraneios Cinzas quisessem me capturar, torturar e assassinar por crimes que eu juro que não cometi…
Ainda bem que surgiu Gabriel Garcia Márquez.
Com a leitura de Crônica de uma Morte Anunciada, a única coisa que eu conseguia pensar era se realmente o pobre Santiago tinha fanfarreado com a Ângela Vicário. Eu acho que não… mas também… agora Inês é Morta.
Bom… Comecei a ler outro livro e, com esse, começo a pensar que um bom título para uma biografia minha seria: “Você é mesmo um tapado, Charlie Brown”.
Como um careca (cabeça raspada à zero), que não é caucasiano, mas ostenta o autêntico bronzeado paulistano, se atreve a pegar um metrô segurando um livro de título “Diário de um Skinhead”?
Essa pergunta me veio à cabeça quando um cara que mais parecia o John Coffey sentou ao meu lado. Suando frio e imaginando que aquele cara poderia partir minha cabeça com um peteleco, respirei e comecei a concentrar toda minha capacidade mental… Talvez eu conseguisse fazer com que o livro desaparecesse… Melhor… Talvez fizesse com que o grandalhão dormisse (manja Fábio Puentes?)…
Como não funcionou, fui fechando o livro devagar e com a maior naturalidade possível… Deu certo… Exceto pelo fato de ler de duas em duas letras.
Acabo de alcançar a página 51. Já vi que vou demorar para terminar este…

