Não tava assim quando eu cheguei


Se eu fosse o chefe…

Olha… Se não tivesse o Haroldo em tão alta conta, com certeza, eu já teria dado uma lição nesse moleque. Mas querem saber? Também Não posso reclamar… O mau-humor deste Calvin caiu como uma luva para o Não Tava Assim e aposto que esta não é a última vez que verão este garoto enjoado por aqui…

Charlie Brown 

Aaaah, o ser humano… De todas as coisas que Deus criou (e olha que foram muitas), essa deve ser a mais complexa e misteriosa.

Você já parou para reparar o quão diferente são as pessoas que estão ao seu redor? Cabelos, estilos, corpos, rostos e, principalmente, personalidades. É exatamente sobre as personalidades e comportamentos destes seres humanos que vou falar hoje.

Tá, não sobre todos eles, até porque não sou especialista em nada disso (graças a Deus). Mas, recentemente, Haroldo e eu temos trocado muita ideia sobre um determinado grupo de pessoas que tem uma linha muito particular de comportamento e personalidade. Na verdade, trata-se de um grupo e um subgrupo muito específico.

Grupo >>> chatos

Subgrupo >>> puxas-saco

Não dá para falar sobre todos os indivíduos pertencentes ao grupo dos Chatos, até porque, cá pra nós, é tanta gente chata nesse mundo que esse texto iria virar um estudo médico/sociológico muito útil (e caro) para ajudar a sociedade a eliminá-los, e a última coisa que ia fazer com esse super-mega-ultra-master-blaster material seria divulgar aqui.

Não me leve a mal, Charlão. Somos amigos e, mesmo tendo me ajudado a pregar muitas peças no Haroldo, você tem que admitir que você é meio azarado – e isso já não é segredo para ninguém. Sei lá, fico com receio de isso atrapalhar de alguma forma… Mas prometo que coloco seu nome na dedicatória quando eu lançar esse estudo e ficar incrivelmente rico com ele, ok?

Calma… Perdi um pouco do foco…

Vamos voltar a falar do que realmente importa: os puxas-saco. Como eu disse, existem muitos, muitos tipos de chatos no mundo: tios do pavê, os que querem dar aula, os que não param de falar NUNCA, os que reclamam de tudo, os metidos, etc, etc e muitos etc. Mas, de todos esses malas, nenhum é tão insuportável quanto o puxa-saco.

Desafio qualquer um a me dizer o que é mais chato do que aquele cara que, desde o pré-primário, lambe o chão que a tia da escolinha, o professor, o diretor e o chefe pisam. O pior é saber que, na maioria das vezes, bajular é a única coisa que eles sabem fazer. E, como todo mundo precisa ter o ego massageado de vez em quando, é sempre bom para a tia da escolinha, para o professor, para o diretor e para o chefe manterem um fulaninho meio incompetente que só serve para estes assuntos… Como eu posso dizer?… Babaovísticos.

Este especialista é exatamente a pessoa que dirá: “Nossa, muito bem pensado”; ou ainda “Nossa, te admiro muito”; “Nossa, quero ser um profissional assim”.  Essas pérolas serão ditas em ocasiões que vão desde a piada mais infame, ao projeto mais “merda-no-ventilador”, mirando única e exclusivamente o chefe. Eu até diria mirando “você”, mas o “você” nesse caso só vale se você, leitor, for uma daquelas pessoas que, na escala hierárquica, manda em todo mundo e mora, no mínimo, no 20º andar de um prédio bacana… Gente que, na moral, acho que não para pra ler esse blog… Com todo o respeito de novo, hein Charlão.

Mas voltando ao assunto: Não entendo como chefes, líderes ou seja lá o que for, aguentam esse tipo de gente. Bajuladores, fazendo tudo para você e… Calma aí… Isso deve ser bem confortável.  Pensando bem, é quase como ter um estagiário voluntário feliz em fazer horas extras, sabe? Aliás, será que existe alguém que é contratado só para puxar o saco dos outros? Digo, será que existe algum job description com isso? “Fazer arquivo, cafezinho, lamber com eficiência as bolas dos superiores”…  Sem dúvida é uma das qualificações que muitos caras devem ter nas entrelinhas de seus currículos, né?

No fim das contas, ele vai executar tarefas que exigem muito menos estudo. Vai levar a roupa do chefinho para a lavanderia, almoçar com ele todos os dias (e pagar por isso), falar mal de todos os outros funcionários da empresa, ouvir que é o melhor no que faz (pode ter certeza que ele não está falando do trabalho que o puxa-saco exerce teoricamente. Ele estará elogiando seu trabalho como o “cara-que-beija-minha-bunda-todo-dia”). E o puxa-saco nem deve se importar muito de ser odiado por toda a empresa, afinal, o chefinho o ama, certo?

Errado. É provável que nem os chefes gostem dos puxas-saco, porque é impossível se desenvolver tendo uma pessoa desse tipo por perto. Eles só os mantém porque:

 1 – É impossível se livrar deles (são iguais a capim: quanto mais você pisa, mais surge);

2 – É bastante conveniente, não dá para negar.

Só sei de uma coisa: se eu fosse o chefe (ou Deus), essa racinha já estaria extinta da face da terra. Mas antes, acho que pediria para alguém para fazer a faxina na minha casa. Só isso… Não, peraí… Acho que também mandaria alguém resolver meus problemas no banco, afinal… Eu detesto fila. Quer dizer… Também preciso de alguém para marcar meus médicos e exames e…

Por Calvin



Caninos Loiros – A história do cão que me odeia

Paura, cagaço, fobia… Chame como quiser. O fato é que, hoje, sofro com um terrível medo de cachorros.

Não me lembro exatamente como isso começou, mas pequenos, médios ou grandes, os cães sempre me apavoraram.

E digo que não lembro, não só porque eu tenho uma memória de merda, mas também porque apesar de nunca ter sido mordido presenciei algumas cenas em que a cólera canina recaiu sobre a humanidade (representada por minha mãe e duas vezes pela minha irmã – Poxa! Para uma criança entre 4 e 9 anos  isso já era quase toda a humanidade que eu conhecia).

Quando muito pequeno, vi minha mãe ser atacada por um pequinês em meio à frase “Não tenha medo Charlie. Ele não vai teAAAAI!!”.

Já um pouco maior, vi minha irmã ser derrubada por um Doberman que, por sorte, não a mordeu. Depois disso a vi  ficar presa pela blusa à grade de um portão, muito bem segura pela mordida de um vira-latas. O mais impressionante nesse caso é que o cão, negro como a noite, tinha o conveniente nome de MacGaren, o que para uma criança de oito anos, naquela época, era um baita de um sinal…

Engraçado é perceber como essas experiências me atingiram, mesmo sabendo que a presença canina em minha casa sempre foi constante. Muitos vira-latas, um Fila brasileiro (mestiço, mas enorme), um Pastor Alemão (com graves problemas psicológicos e uma incrível capacidade de autoflagelo) e, finalmente cockers. Foi sempre assim. Sempre tive cães e, mesmo que com algum distanciamento, sempre mantive um relacionamento pacato com eles… Quer dizer… Com todos, menos o Alemão.

Não, não estou falando do pastor bi-polar. Falo de um cocker loiro que ganhou este nome graças à cor dourada de seus pelos.

Alemão foi o primeiro de uma ninhada de quatro machos, seguido por Peter (pretinho que ganhou da nova dona o nome de Yosh) e os gêmeos idênticos Napoleão e Rodrigo.

Alemão, Peter (Yosh), Napoleão e Rodrigo

Mau caráter desde pequeno, Alemão sempre chorou muito, mas bastava darmos as costas para que ele baixasse a porrada em seus irmãos. Dos quatro, foi o que encorpou mais rapidamente. Só dividia as atenções com Napoleão, um cãozinho malhado que, de tão desastrado, quase ganhou o meu nome.

Os cãezinhos foram crescendo… A sujeira foi aumentando… O espaço e a paciência de Charlão foram diminuindo… Assim corremos para arrumar lares para todos eles… 

Com os novos pais devidamente eleitos, Peter (Yosh) e Rodrigo nos deixaram rapidamente. Charlão decidiu ficar com um e, apesar de meus sinceros protestos, Napoleão seguiu os passos caninos de seus irmão e foi para uma nova casa, deixando espaço livre para o reinado de Alemão, o Rancoroso.

Dissimulado, e conosco já há quase 10 anos, o canalha abana o cotoco de rabo até para o carteiro… Mas para mim reserva seu rosnado permanente e a constante ameaça às minhas canelas.

Recentemente, enquanto corria pela vida com Alemão em meu encalço, tive até a impressão de ouvi-lo dizer alguma coisa. E olha: Eu não sei falar alemão, mas garanto que era algo bem ruim.



Julia e a Baleia

Quantas pessoas nesse mundo podem dizer que sonharam com carne de baleia texturizada?

É eu sei, não faz o menor sentido… Ainda mais quando essa carne é doada pela Julia Roberts, não é?

Não sou nem nunca fui do tipo que sonha. Sou daquele que entra em coma por algumas poucas horas durante a noite, e acorda enquanto ainda é escuro (Ô vida de merda!) para encarar a rotina diária.

Mesmo durante os fins de semana, nunca fui daqueles que passa grande parte do dia dormindo. Por isso, quando sonho, fico muito impressionado. Uma pena que esta condição dure só alguns minutos. Com minha memória de merda, se eu não conto o sonho logo ao acordar, babau…  

Não sei como acontece… Os detalhes vão apenas sumindo, sumindo… Até o café da manhã, a única coisa que eu consigo dizer é “Tive um sonho bizarro!”…

Dessa vez, decidi fazer diferente.  O plano, que se não fosse por minha memória manca já teria sido levado adiante há alguns anos, era o seguinte: Contar o sonho com o máximo de detalhes assim que eu acordasse. Se eu conseguisse me manter longe de uma internação com fins psiquiátricos até terminar a história, teria não só uma pessoa para me ajudar a decifrar o sonho, mas também para me lembrar dos que, com certeza, eu perderia até o final do dia.

E foi assim que aconteceu. No sábado, assim que fui acordado por minha namorada, disparei a falar do sonho. Não tinha certeza se aquele número de bobagens estava realmente saindo da minha boca. Por um momento imaginei até que essa, na verdade, era uma continuação do meu sonho e a minha boca tinha ganhado vida própria… Tive a certeza de que não era, quando ela começou a gargalhar…  Talvez, se eu estivesse realmente me ouvindo enquanto vomitava todas aquelas groselhas, até eu teria rido… Quer dizer… Eu ri, de tanto que a moça se contorcia e gargalhava.

 O sonho (assim como eu me lembro):

Estava eu, em uma casa, que funcionava como o Quartel general de uma corrida de automóveis. Eu sabia, de alguma forma, que se tratava de uma daquelas corridas de rua sem regras – talvez como a Corrida Maluca, ou como aquelas corridas do Herbie, sabe?

Seja como for, com a corrida quase fora da lei, estávamos promovendo também uma arrecadação de alimentos. Não que houvesse uma tragédia e nem que estivéssemos afim de ajudar alguém…Só estávamos arrecadando.

Eis que, motivada por esta arrecadação, me aparece na casa a Julia Roberts. Vestida de uma forma muito séria, Julia trazia uma bacia nas mãos. Era apenas um recipiente, mas eu sabia que, de alguma forma, havia pelo menos uma tonelada de carnes lá.

Me despedi de Júlia e fui cuidar da minha vida, já que eu era uma mistura de mordomo e diretor de provas, acumulando assim a responsabilidade pelo bom funcionamento da casa e pelos painéis luminosos com pinos de War que mostravam a localização de cada competidor.

Foi assim que em uma pausa na corrida, decidi dar condições melhores a toda aquela carne que havia sido entregue pela boa Júlia, comecei a olhá-la com mais atenção…

Fui guardando peça por peça até que me deparei com algo do tamanho de um pernil, mas com o formato de um daqueles presuntos defumados gringos, manja? A peça era de uma cor muito escura e tinha uma textura diferente, que parecia um tecido emborrachado.

No momento em que vi eu tive certeza… Era carne de baleia.

Olhei bem para aquela presuntão do mar e fiquei imaginando que tipo de implicações aquilo teria… Olhei com mais cuidado e vi que havia uma pequena luz piscando dentro daquela peça. Afastei um pouco a carne para ver melhor e me dei conta de que não era uma simples luzinha. Aquilo era uma espécie de transponder que emitia sinais para a guarda-costeira (meu poder de dedução é incrível, né?). E para piorar, este aparelho estava na cabeça de um golfinho, como um daqueles capacetes de mineiros, saca? Aqueles com as lanternas? Então..

O pobre do golfinho, que por algum motivo tinha sido engolido pela baleia não tinha sido visto pela malévola Julia Roberts e agora estava ali, me olhando de forma triste, praticamente me implorando para levá-lo de volta ao seu doce e seguro centro de treinamento da CIA, ou sei lá o que… Olhei em volta, tentando avaliar minhas possibilidades de ação e, quando grudo meus olhos na porta, lá está Julia…

Quem diria? Julia Roberts: A caçadora de baleias… Bom, como eu disse, fui acordado então acabou ai. Sendo assim, as únicas coisas que eu consegui concluir foram:

1 – Meu bom senso sofre com um delay de uns 20 minutos, pois se ele acompanhasse o meu ritmo não me deixaria contar este sonho em hipótese alguma;

2- Meus sonhos são, muito provavelmente, roteirizados por Salvador Dalí e dirigidos por Joel e Ethan Coen.



Caro senhor bandido

Se o senhor não é aquele que roubou o estepe de um carro prata, ali pelos lados do Butantã na tarde de hoje, peço que desconsidere esta carta. Um dia a ira de outros assaltados irá lhe alcançar e você encontrará o que merece…

Agora, se você é, de fato, o espertalhão que de forma muito astuta ludibriou o vigia da rua (acho que ele não veria nem mesmo se fosse um teletubbie gigante) e abriu o carro… Cara… tenho que lhe dar os parabéns.  Graças à sua ação, minha namorada perdeu o pneu reserva e eu minha mochila titular. Não é o máximo? Você lesou duas pessoas numa tacada só.

Ah não. Você não é desses que roubam para fazer o mal, né? Tadinho… Você, na verdade está se rebelando contra o mundo roubando estepes. Eu entendo. Sabe? Sempre imaginei por onde eu começaria se fosse marginalizado pela sociedade. Tai a resposta: Malditos imperialistas proprietários de carro… ficam com pneus improdutivos, enquanto a massa nem sequer tem pneus… Não é isso?

Bom… Qualquer que seja a razão para o seu ato, você se deu muito bem.

Sua pilhagem resultou em:

1 pneu (para o qual você já deve ter mercado);

1  iPod (com músicas que devem ser muito diferentes das que você está acostumado a ouvir, mas que devidamente “limpo” estará apto a receber todo tipo de … sei lá… ruído);

1 bom livro (não vou explicar quem é Balzac, sorry);

2 boas camisetas (sujas, mas muito boas);

1 par de tênis de corrida;

1 par de óculos de sol (riscados sim, mas muito legais);

Não tenho certeza, mas acho que também levou algumas meias

É… Foi isso…Efetivamente você se deu bem…

Só posso lhe cumprimentar e….Bom…  Na verdade, a única coisa que posso fazer é esperar…

Esperar que sempre que você passar por uma quina de parede, seu dedinho do seu pé seja automaticamente sugado para um inevitável choque…

Esperar que a senhora sua esposa tenha uma série de casos extra-conjugais, contemplando uma lista que vai do ceguinho da rua de baixo até aquela tiazinha, a merendeira na escola dos seus filhos;

Esperar que seu filho mais novo vire um Emo incorrigível e que faça uma tatto de coração;

Esperar que seu filho mais velho se descubra um talentoso cover da Lady Gaga e vire a atração dos programas de auditório de domingo;

E, para completar, espero que você seja estuprado por 1,5 milhão de bodes montanheses e que cada um tenha pelo menos três pulgas na genitália…

Ah! Mas antes que o primeiro bode chegue, espero você descubra que é o glorioso portador de um caso crônico de hemorróidas, seu PUTO.

Com amor,

Charlie




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