Não tava assim quando eu cheguei


Contesto

- Não… Perai… Tem alguma coisa errada aqui…

Eu já não passava em casa havia uns dias e, sentado no meio da sala, no meio de uma pilha de correspondências, lá estava eu chacoalhando e grunhindo para minha fatura de cartão de crédito…

Minha mãe, incrédula, me endereçou seu típico olhar “meu filho não sabe fazer contas, tadinho”, enquanto eu tentava, de algum jeito, encontrar explicações para aquele valor gigante que, a avaliar pelas minhas roupas um tanto surradas e pela ausência completa de uma Lamborghini na garagem, só podia ser explicado de duas formas:

1-) Em uma crise de sonambulismo solidário eu teria recebido algum hibrido de entidade (podemos chamar de Mahatma Gandhi de Calcutá) e saído em uma peregrinação solidária distribuindo dinheiro aqueles que possuíam uma máquina de cartão de crédito;

2- ) Meu cartão estava clonado…

Tá… Talvez eu esteja exagerando… Quer dizer, se eu pensar bem, o valor nem é assim tão alto… Se eu fosse o Eike Batista… por exemplo…

Liguei para o meu banco. Depois de repetir meus dados pessoais, íntimos e confidenciais, talvez para um grupo de atendentes que, em número, deve ser maior que a população do bairro de Pinheiros, fui questionado:

- Senhor… O senhor está dizendo que o senhor gostaria de contestar valores indevidos debitados no cartão do senhor?

Depois de me perguntar quantas vezes mais aquela menina poderia repetir a palavra senhor em uma frase, respondi:

- Não… Eu não quero só contestar… Quero saber se existem formas para encontrar este outro Charlie… Eu quero poder mandar uns bons bodes para ele… (Para quem não conhece, a maldição dos bodes surgiu neste post).

- Não entendi, senhor.

- Não importa… Além de contestar, o que mais eu posso fazer?

- Esperar, senhor…

- Oi?

- Pois não, senhor?

- Não… Eu não estou te cumprimentando novamente. Você disse que eu só posso esperar?

- E contestar, senhor…

- Isso eu já entendi. E quanto tempo isso leva?

- Bom… O senhor precisa enviar um fax relatando os débitos indevidos, uma cópia da fatura e dos seus documentos. A partir daí, vamos investigar a procedência dessas informações e…

- Epa, epa, epa… Peraí… Você está dizendo que depois de passar estes últimos 45 minutos entre o atendimento eletrônico, e a recordista mundial da palavra “senhor”, vocês ainda vão avaliar a procedência dos débitos… Será que só a diferença de valor no histórico de compras já não diz alguma coisa?

- Pode repetir, senhor?

- Não…

- Posso ajudar em algo mais, senhor?

- Vamos às definições de algo mais…

- Desculpe, senhor…

- Nada…


6 Comentários até o momento
Deixe um comentário

Tu tá é gastando uma bica e nem pra me dar um presente aff

Comentário por Natalia Máximo

As únicas coisas que eu to gastando são o meu latin e a minha paciência, viu Nat…

Comentário por Charlie Brown

Que delícia de dor de cabeça vai ser isso! Aguardo as novidades, senhor.

Comentário por Nicole Collino

Nem me fala… só de pensar, me dá um SENHOR arrepio…

Comentário por Charlie Brown

ui!!! seu irmão gêmeo do mal está te pregando uma peça, senhor!!!
mantenha-nos informadas pra ativarmos nossas redes caso esses valores contestados não sejam devolvidos..rs

Comentário por Má-Má

Boua!! Se alguém careca e sem sorte passar por ai, chame a Interpol, pq com certeza é o meu clone!

Comentário por Charlie Brown




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